– O Corpo. –

Atualizado: Jan 29

O corpo é o sacrário da alma, tão belo quanto. É a expressão do artista e o ópio da nação.

É a beira da loucura, é a solidão.

É o exagero dos fortes e a sensualidade da mulher.

É a beleza da contradição.

O corpo é a mentira da sociedade, tão vil. É a verdade do opressor.

É a maldita moda, é a santidade proibida.

É a feiura da miséria e a timidez da perdição.

É o suor dos que lutarão.

O corpo é brisa dos sonhadores, tão apaixonados. É a semiótica pros signos e a fuga do sofredor.

É a libertação da dança, é o cimento da construção.

É a morte toda hora, é a vida de Sebastião.

É sem dó nem piedade a ironia do tempo.

O corpo é a velhice bruta que guarda em si a essência da vida e o medo da morte.

É tristeza depois da bebedeira e a festa do próximo final de semana.

É o sexo pro amante, é a reza do pastor.

É o prazer e a dor.

É o moldar-se, transformar-se, sair do padrão, é não mais ser.

O corpo é piedade e profanação, é tudo e é nada.

É desejo e adoração.

É segredo e demonstração.

O corpo esteve, o corpo está e corpo estará em constante transição.


E ninguém sabe explicar.


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