Gritos

Atualizado: Jan 28

Licença Agora eu vou falar Esse espaço é meu por direito Ninguém me ofereceu por educação. Me dê licença, eu vou gritar Meu silêncio consentido,  Você nunca mais terá. Sou mulher, Tenho certeza, todos vão me julgar O tamanho da minha saia – dizem Faz muita gente achar Que pode me estuprar. Marginalizam meu corpo, o comercializam Fazem pouco da minha fala, Julgam até se sou pra casar. Dói, preciso gritar.  Sou jovem também Como muitos, tenho medos, sonhos E esperança a florescer. Mas eles – os que estão no poder Nos tiram direitos, Selam destinos, Matam futuros, Nos aprisionam em gaiolas Presídios cheios de sonhos mortos. Querem nos diminuir, nos punir, nos calar. Urbanizam nossa regionalidade Pintam de cinza nossa arte Nos fazem esquecer de onde viemos Tiram nossos espaços. E muitos de nós, para SOBRE-VIVER trilham o caminho das drogas. Falta lazer, falta cultura e o emprego, cadê? A mídia manipula, Nos seleciona feito leite: O tipo A e o tipo B Tem vez, que nem para C a gente serve. Dizem que  temos que andar na linha, saber se portar. Se é Bi, Gay, Lésbica ou Trans,  é melhor esconder, falam: “Da sua vida intima, ninguém tem que saber!” Nos aprisionam dentro de nós E vão matando, dia após dia Aniquilando nossas vontades e desejos, um por vez Perdemos a vontade de viver: Depressão, ansiedade, os nossos fantasmas pessoais,  As cruzes que carregamos, pesam… Mas hoje, aqui, reunidas e reunidos Escolhemos gritar Sonhar mais uma vez Não nos calar jamais Sem Temer, Ousamos lutar, Por NÓS e por AMOR! 

[Escrito para o Sarau do 32º ARPJ em Marília-SP. 21/04/2017].

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Raiva Sacra... Uma Mulher e dois Olhos de Trovão.