A colombina

Atualizado: Mar 9

Ela se apaixonou pela última vez. Se fez de inocente mas ela sabia do seu fim. Mais uma vez seu coração foi partido. Mais uma vez dor. Ela se pintou pela última vez. Se fez de forte uma vez mais. Mais uma vez sozinha. Fez cair as mascaras. Ela derramou a última lágrima. Deixou escorrer por todo corpo. Como sangue que emana, que flui. Vestiu seu melhor vestido. Se colocou de pé mais uma vez. Saiu pela porta, sem presa de ver sua obra de arte terminada. Era noite de carnaval. Ninguém sabe o tamanho da dor de uma mulher com o coração partido. Ninguém sabe a raiva que ela carrega. E ela estava bem fantasiada, um sorriso leve e gentil na cara. Mais uma vez ela se pôs a sambar. Sambou como se não houvesse amanhã. Até ele chegar. E ele adentrou a festa com seu belo terno azul turquesa e um lindo sorriso no rosto. A coisa que a vez se apaixonar, aquele maldito sorriso. Ela fingiu não ligar e foi buscar um drinque. Ele foi atrás dela. Foi então que o plano apareceu em sua mente. Ela voltou e o beijou. Ela fez aquilo pela última vez. Ele pediu para ficarem sozinhos, ela aceitou. Após um bom amasso ela desceu as escadas com cara de satisfação pela última vez. Ela acabará de terminar o ato mais importante daquela peça. Ao chegar em seu prédio fumou o último cigarro, abriu a janela e admirou a noite gélida. Respirou fundo pela última vez. E se jogou em um mar de ilusões, medos e delírios da alma. A raiva a consumiu. Ele acabou com a vida dela e ela com a dele, e ao fim não viu sentido na vida e terminou o que começou. Os jornalistas chamaram de crime passional, mas eu chamo de: Vingança & Amor ... Amor de carnaval.

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