Última vez

Atualizado: Jan 28

Essa é a última vez que vou escrever.

É a última vez que teimo em deixar-me por aqui.

Não quero mais escrever sobre coisa alguma, muito menos de mim.

Esse é o fim, acenderei um o último cigarro e beberei minha última garrafa de cachaça.

Me entorpecerei de mim.

Me deitarei ao relento sentido pena dos pobres coitados.

Mas não escreverei mais sobre eles também.

Este é o fim, o último renunciar-se.

O último gole de angústia.

Deixo aos meus pais, saudades que nunca matei.

A minhas irmãs, as cartas malditas que tanto escrevi.

Sobrinhos, os carinhos que nunca dei.

Aos amigos, a ajuda que sempre faltou.

Ao amor, solidão.

As festas, bobagens.

E os meus livros, por favor, queimem todos.

Eles nunca salvaram a vida de ninguém, muito menos a minha.

Não escrevo pra dizer adeus.

Não quero me despedir de ninguém.

Parto sem dores ou pesares.

Escrevo para morrer da única coisa que me fez viver.

Parto escrevendo que parti.




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